A história de Antônio Delmiro na Empresa Lopes teve início no mês de abril de 1961. O Sr. José Delmiro, pai do Antônio, trabalhava como carpinteiro na construção da antiga garagem da Lopes. Naquela época, esporadicamente a Prefeitura contratava jovens para fazer capina nos calçamentos. Certo dia, por sorte ou por destino, o menino de 16 anos estava fazendo esse trabalho de capina bem em frente à garagem. O pai, vendo-o na lida, aproximou-se do José Lopes, mostrou o filho e pediu um trabalho para ele. Naquele momento mágico, a sinergia ou a vontade Divina se cumpriu. Deu-se início a um vínculo de ultrapassa os tempos e as questões profissionais, pois se tornaram afetivas, respeitosas e de admiração mútua.
O garoto foi imediatamente admitido como Auxiliar e na Empresa Lopes fez carreira. Aposentou-se após 33 anos de trabalho na posição de Mecânico altamente qualificado - através de cursos por várias cidades brasileiras onde havia montadoras de ônibus. Ele acompanhou toda a evolução dos motores e até hoje é Mestre na Empresa Lopes, ensinando aos novatos e desvendando modernidades que são incorporadas aos motores. O garoto de 16 anos atuou desde a mais simples até a mais complexa função na garagem da Lopes, tendo domínio completo de toda a estrutura e funcionamento do setor.
Pato Preto (à direita), Confusão (ao fundo)
Logo ganhou o apelido de Pato Preto. Com sua inconfundível gargalhada aceitou a brincadeira e adotou-a como uma segunda identidade. Sempre alegre, amigo de todos, se fez pai, tio, irmão de mecânicos e novos funcionários que chegavam à Empresa timidamente. Sempre foi admirado por toda a família Lopes e por todos os funcionários (sejam eles de escritório, motoristas, trocadores, mecânicos ou auxiliares). Sua simpatia contagiava vizinhos e até os fornecedores da Empresa que periodicamente faziam visitas para repor estoques. Chegava bem cedo ao trabalho e, ainda pela manhã, o cheiro de pão quentinho da Panificadora Trigo Arte o levava a uma pausa no trabalho. Passando pelos escritórios, brincava com as funcionárias, contava alguns casos e entrava pelos fundos na casa do Vertinho para tomar um café enquanto saboreava o pão quentinho.
Pato nunca faltou ao trabalho e isso é importante porque suas gargalhadas sempre encheram os ares de uma energia positiva, de uma alegria de viver que contagiava aquele ambiente de trabalho, descontraindo todos e tornando o labor mais produtivo e menos tenso.
Atingindo tempo de serviço para se aposentar, Pato Preto desligou-se formalmente da Empresa. Mas ele continua lá, nas lembranças de todos que com ele conviveram. E mais que isso: até hoje presta serviços de consultoria para a Lopes. Conhecedor profundo de tudo que diz respeito a ônibus, continua se mantendo atualizado através de cursos promovidos pela Mercedes Benz. Convidado de honra, vai feliz para Contagem onde é recebido pelo filho também conhecido e amado por todos que com ele convivem - o Padre Marcos.
De volta à terrinha, lá vai Pato Preto para a garagem da Lopes ensinar as novidades aos mecânicos que atualmente trabalham na empresa.
Pato Preto (à direita), Confusão (centro)
Ainda moço, Pato conquistou uma das moças mais prendadas e cobiçadas da época. Casou-se com Lica, moça bonita, educada, excelente cozinheira e dona de casa. Tiveram 3 filhos: Dadá, Marquinhos e Dudu. Como filho, irmão, esposo, pai e agora avô, sempre junto com a Lica, construíram uma vida serena, pautada no amor e na união e no desprendimento quando se tratava de ajudar os outros. Deus os recompensou! As filhas estão bem casadas, os netos começaram a chegar e o Marquinhos se transformou no Padre Marcos, carismático, inovador, divertido, alegre e risonho..... como o jovem Antônio Delmiro.
Confira a caricatura do Pato Preto no blog Nova Era com Humor